Jovem que estudou em internato faz Enem pela 5ª vez para cursar medicina em MT
Eduardo já participou de quatro edições do Enem. As três primeiras foram durante o ensino médio, duas como treineiro e uma no último ano, quando fez a prova par...
Eduardo já participou de quatro edições do Enem. As três primeiras foram durante o ensino médio, duas como treineiro e uma no último ano, quando fez a prova para valer.
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A vontade de estudar em um internato levou Eduardo Torres Magalhães, de 19 anos, a deixar Alta Floresta, a 800 km de Cuiabá, para fazer o ensino médio em um colégio adventista em Pernambuco. A experiência, que também fazia parte da trajetória dos pais, era um sonho antigo do jovem. Agora, depois de concluir os estudos e se mudar para Cuiabá para fazer cursinho pré-vestibular, ele vai encarar o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) pela quinta vez, em busca de uma vaga no curso de medicina.
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Durante os três anos no internato, Eduardo foi bolsista e trabalhava no período da tarde para ajudar a pagar os próprios custos. Ele conta que acompanhava as redes sociais dos colégios e se inspirava na experiência dos pais, que também estudaram em instituições com esse modelo de ensino.
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“Minha mãe estudou em um colégio interno em Anápolis, e meu pai, em Minas Gerais. Muitos dos meus amigos também trilharam esse caminho. Sempre foi um sonho. Quando tive essa oportunidade, meti a cara e fui mesmo. Foi a melhor experiência da minha vida”, contou.
Apesar das boas lembranças, o estudante explica que o internato não foi uma preparação específica para o Enem. Na época, a prioridade era viver a experiência e concluir o ensino médio. A decisão de se dedicar aos estudos para medicina veio depois, quando percebeu que conseguir uma vaga em uma universidade pública seria mais difícil do que imaginava.
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Rotina de estudos
Eduardo já participou de quatro edições do Enem. As três primeiras foram durante o ensino médio, duas como treineiro e uma no último ano, quando fez a prova para valer. Em 2025, começou a preparação em um cursinho presencial em Cuiabá. Neste ano, mantém a rotina de estudos para tentar a aprovação pela segunda vez consecutiva com preparação direcionada.
A rotina inclui aulas pela manhã e estudos individuais à tarde, com duas ou três disciplinas por dia. Matemática e redação recebem prioridade, seguidas por ciências da natureza, ciências humanas e linguagens. Ele também resolve questões, utiliza cartões de revisão, conhecidos como flashcards, e faz simulados nos fins de semana.
Natural de Alta Floresta, Eduardo não escolheu uma universidade específica para cursar medicina. Entre as opções estão a Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), nos câmpus de Cuiabá e Sinop, a Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat) e a Universidade Federal de Roraima (UFRR).
“Se eu pudesse fazer aqui no Mato Grosso, na UFMT de Cuiabá ou de Sinop, ou na Unemat, eu escolheria. Mas, teoricamente, onde eu passar, eu vou”, afirmou.
Preparação e saúde mental
Além da rotina de estudos, Eduardo destaca a importância de cuidar da saúde mental durante a preparação para um curso concorrido. Para ele, lidar com a autocobrança e aprender a reconhecer pequenas conquistas são atitudes importantes para não transformar a aprovação na única fonte de felicidade.
O estudante recomenda que os candidatos busquem acompanhamento psicológico, se possível, e valorizem avanços como o aumento no número de acertos nos simulados.
“Essa jornada é muito lenta e a gente tem que aprender a valorizar quando melhora nem que seja um pouquinho, porque senão a gente só vai ser feliz quando passar e, às vezes, isso demora”, disse.
O apoio familiar também faz parte da trajetória. Como mora em outra cidade para estudar, Eduardo reconhece o esforço dos pais para mantê-lo no cursinho e afirma que essa oportunidade aumenta seu senso de responsabilidade.
“Meus pais estão me bancando em outra cidade. A cada simulado, cada passo que a gente dá lá no cursinho, eu sempre penso que estou fazendo isso porque eles estão me dando essa oportunidade e tenho que devolver isso e retribuir de alguma forma”, contou.
Enem em Mato Grosso
Mato Grosso tem 81.772 inscrições confirmadas para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2026, que será aplicado em 58 municípios do estado. Do total de candidatos, 51.504 (62,98%) tiveram direito à inscrição gratuita, enquanto 30.268 (37,02%) pagaram a taxa.
Na semana que antecede o exame, o professor de história Carlos Bidu recomenda priorizar revisões, anotações e resolução de exercícios, em vez de tentar aprender muitos conteúdos novos. A orientação é identificar os assuntos em que o estudante tem mais dificuldade e reforçar os estudos com base nos conteúdos mais cobrados no Enem.